Todos nós temos uma parte da mente que é infantil, mas não se fala sobre isso porque se você disser a alguém que essa pessoa está sendo infantil, a pessoa se sente ofendida. Então o termo usado é “nossa criança interna”, mais poético e menos doloroso.
Esse lado infantil não nos abandona nunca porque precisamos dele inclusive para tornar as coisas mais leves. É notório que todos aqueles que resolvem abandonar esse campo cerebral, são menos felizes, mais ranzinzas, menos flexíveis e mais amargos. Essas pessoas terão muita facilidade inclusive de desenvolver diabetes. Na nossa velhice essa criança costuma aparecer sem medo, é como se esse campo do cérebro dissesse “agora é minha vez”. Notem que passamos muito mais tempo sendo adultos do que crianças e muitas vezes, como crianças, vivemos vislumbrando a idade adulta e tudo o que poderíamos fazer. Na velhice entendemos que passamos tempo demais sendo adultos e ficamos por assim dizer, irreverentes.
O Ego pode ser manifestado na personalidade infantil. Quando uma criança consegue lidar com suas frustações é sinal que tem o estado do ego pouco desenvolvido, já quando essa mente leva o Ego para o estado adulto, uma vez que em uma parte do cérebro está a mente infantil, isso é chamado na idade adulta de Superego.
Então seria o Ego referente à mente infantil que todos nós temos e o Superego no adulto que nos tornamos.

É comum que a grande maioria dos problemas na idade adulta estejam cimentados nos alicerces, ou seja, na infância. Sempre que as emoções se tratam de frustações, medos, tristezas e raiva, estão habitando nessa parte do cérebro onde a criança é atuante. Por esse motivo, normalmente nos tratamentos terapêuticos nos reportarmos a essa criança! Tratamos a criança e a levamos à compreensão de que ela cresceu, de que agora é um adulto, mas isso não quer dizer que vamos abandoná-la e sim que precisamos trazê-la para a idade atual para que ela veja o quanto contribuiu para o nosso crescimento.
Quando colocamos nossa mente infantil para trabalhar no sentido de fazer birras e bater o pé, estramos nos referindo ao Ego. Quando é o adulto na disputa corporativa e na disputa pelo poder, trata-se do Superego.
Existe um livro que muitos leram, mas poucos entenderam, ficando então instituído na época que era um livro para crianças: “O pequeno Príncipe”!
Trata-se de um aviador que enfrenta problemas no motor de seu avisão em pleno deserto. Com pouco ou quase nenhum recurso em meio à sua solidão, recorre ao que muitos de nós recorremos: nossa criança interna. A partir da aparição dessa criança, ele passa a reviver seus antigos dramas infantis, no começo um tanto áspero e ainda se negando. Com o passar do tempo tendo somente a si mesmo por companhia, passa a dar mais atenção a essa criança.

Brota então a generosidade para com ele, já que ele se reporta àquela criança com amor e compreensão fazendo-a entender o quanto foi responsável pelo adulto que ele se tornara. A medida em que o conserto do avião vai se tornando mais viável, ele encontra um meio de se despedir dessa criança; eis que surge o personagem da cobra.
Ele então conserta o avião e vai em busca de sua criança talvez para agradecer, quando descobre que ela se foi. Não há mais necessidade dela, mas num súbito lampejo de consciência ele resgata essa criança, levando-a para dormir com ele no avião. Ao acordar, percebendo que ela não está mais lá, num último esforço de não deixa-la ir embora, ele trava um diálogo poético para que ela se mantenha viva dentro dele, para que sempre possa acessá-la.
A dedicatória do livro é assim…
” Eu dedico esse livro a todos os homens que um dia foram crianças, pena que poucos se lembrem disso.”
Não é fácil harmonizar nossa mente infantil com a nossa mente adulta, mas é um exercício que podemos e devemos fazer. Temos que ir começando matando o nosso Ego e depois o nosso SuperEgo, esse exercício irá trabalhar a nossa evolução.
Vale lembrar que quanto mais perto do Ego, mais longe de Deus!

O Ego e o SuperEgo
Margot Procídio

Margot Procídio

Terapeuta Cognitiva Comportamental e Holistica, Margot Procidio atua no campo de desenvolvimento espiritual e humano há pelo menos 10 anos, ajudando centenas de pessoas no caminho do autoconhecimento e cura de doenças físicas, emocionais e espirituais.

3 ideias sobre “O Ego e o SuperEgo

  • outubro 3, 2018 em 9:29 pm
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    O Pequeno Príncipe é um livro lindo, mesmo quando fiz sua primeira leitura muitas questões vieram à minha cabeça e percebi que muitas delas não era capaz de responder, pois não fui capaz de entender a ideia completa. Com essa explicação, as questões foram respondidas.
    Mantenhamos vivas as crianças que existem dentro de cada um de nós. 💜

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  • outubro 3, 2018 em 9:54 pm
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    O Pequeno Príncipe é um livro tão aclamado, mas que muita gente realmente não foi capaz de entender… eu mesma sou uma dessas pessoas, com esse texto as questões foram respondidas.
    Conservemos a criança que há de dentro de cada um de nós. 💜

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  • outubro 3, 2018 em 10:36 pm
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    Muito obrigado por isso!! Precisava entender ❤️

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